PERDA DE APETITE PELO BRASIL?

Tenho cerca de 40 anos de jornalismo, entre radio, televisão e jornais. Cinco anos na Jovem Pan, onde comecei. Dez anos de Folha de São Paulo e, sem mencionar outros veículos, já com 35 anos de coluna no Diário do Comércio de São Paulo.

Atravessei dos governos militares, sob censura, à era Color, FHC, ao brutal desastre da era Lula/PT e agora, vivendo o momento político nacional. Sem entrar no mérito dos planos econômicos até a estabilidade da moeda com o Plano Real (que o PT rejeitou na época).

Tudo isso para dizer que nunca, ao longo dessa trajetória, jamais me senti tão sem apetite para escrever sobre a vida política nacional.

Tão enjoado, enojado, que estou.

Peço licença aos leitores de tantos anos e aos novos, para dizer isto.

A sensação que me envolve, me parece, é a mesma que tomou conta da parte (maioria) decente da sociedade brasileira.  O sentimento que nos levou às ruas e provocou o impeachment do desastre chamado Dilma, hoje é igualmente revoltante contra todo o aparato do poder público que domina o país e o tornou seu valhacouto.

E aí reside um perigo. Deixar-nos desanimar a ponto de desistir de lutar contra o mal que tomou conta do país e entregar de vez o Brasil aos saqueadores que hoje ocupam os maiores e melhores cargos da República, mas estão espraiados, infiltrados, em todos os níveis, com seu cumplices da iniciativa privada, como um câncer corroendo as entranhas de toda uma sociedade.

Não suporto mais ouvir falar, ver, ouvir, de PT, Lula, Dilma, a bancada da chupeta no Congresso. De partidos, políticos, governantes, magistrados… nada…tudo…

Está insuportável viver no Brasil. Em tudo, por tudo.

Mas, mesmo estando sem apetite, e para isso convido também o leitor, não vou desistir.

Esse bando de canalhas que assaltou e ainda domina o Brasil não vai nos transformar em marionetes de seus desejos escusos encobertos pela verborragia demagógica, pela mentira dos dados, números, pela fantasia de sua inocência.

Não desanime, leitor.

Vamos manter o apetite por um Brasil decente.